Maturidade emocional, quando as águas internas encontram direção
Quando falamos em espiritualidade, é comum pensarmos em dimensões elevadas, em vozes interiores que nos guiam ou em símbolos de uma vida além da matéria. Mas antes de olharmos para as estrelas, é preciso entender que carregamos dentro de nós um universo inteiro. Somos feitos de muitos corpos: o corpo físico, que sente fome e cansaço; o corpo mental, onde surgem ideias e imagens; o corpo espiritual, que se desdobra em experiências astrais; e o corpo emocional, esse rio vivo onde nascem os sentimentos que nos atravessam.
Amit Goswami, em seu livro A Física da Alma, descreve que “temos mais do que um corpo” e que “o corpo vital é o portador de nossas emoções”, uma ponte entre o mundo material e os planos sutis. É nesse corpo que habitam as águas da nossa sensibilidade, as correntes invisíveis que nos impulsionam, mas também aquelas que, quando represadas, nos adoecem.
Se a nossa vida é um grande plano de estudos, como a grade curricular de uma faculdade, a disciplina mais desafiadora é, sem dúvida, a da maturidade emocional. Assim como um bebê que, pouco a pouco, aprende a sustentar o próprio pescoço, a sentar, a engatinhar e a andar, nós também somos chamados a aprender a dominar nossas emoções e, consequentemente, a nossa energia. É um processo de desenvolvimento contínuo, onde ganhamos consciência de nossos padrões e tendências, sejam eles aprendidos na infância, pela ancestralidade, ou pela cultura em que estamos imersos.
Nessa jornada, é fundamental entender que as emoções, no fundo, são energias. E, como toda energia, elas precisam de espaço para fluir. Podemos pensar nas emoções como um rio. Para que ele se mantenha saudável e vivo, suas águas precisam correr em direção ao mar. Quando as emoções são contidas ou reprimidas, elas se tornam estagnadas, e essa estagnação impede o nosso florescer. O verdadeiro controle emocional não significa sufocar o que sentimos, mas sim aprender a reconhecer, sentir e encaminhar essas energias, sem nos apegarmos a elas.
O fluxo emocional pode ser comparado a cachoeiras que descem pelos chakras, limpando, nutrindo e movimentando nossa vitalidade. Quando essa energia é bloqueada, torna-se como água parada, que perde a pureza. Quando flui, nos fortalece e nos conecta com o que é sagrado. Se não os olhamos com consciência, eles nos dominam, como ventos que mudam o curso de um barco. Aprender a controlar o corpo emocional é aprender a segurar o leme, não impedir o vento, mas dar direção ao movimento.
Amit Goswami aponta que os chakras são os pontos no nosso corpo físico onde sentimos os "movimentos condicionados do prana", a nossa energia vital. Por isso, quando sentimos um "nó na garganta" antes de falar algo importante, ou um "frio na barriga" antes de uma decisão, são esses centros de energia nos dando um sinal. Aprender a "navegar" por essas cachoeiras e manter o fluxo emocional saudável é, no fim das contas, a arte de controlar a sua própria energia pessoal. O nosso corpo vital, ou emocional, não é apenas um recipiente de emoções; ele está "ligado a cada célula do nosso corpo físico", mostrando a profunda conexão entre o que sentimos e o que manifestamos fisicamente.
Goswami lembra que a consciência é a base de toda a existência. O corpo emocional, então, é o campo onde podemos experimentar a liberdade criativa da consciência. Tornar-se maduro emocionalmente é estar apto a escolher como reagir, e não apenas repetir padrões. É viver a espiritualidade de forma prática, transformando a energia das emoções em presença e clareza.
Assim, cada emoção se torna um mestre. A raiva ensina sobre limites, a tristeza mostra onde ainda existe apego, o medo revela nossas vulnerabilidades, a alegria nos devolve ao coração. Quando acolhemos essas lições, a alma cresce, amadurece.
Na vida profissional e financeira, esse amadurecimento emocional se reflete em escolhas mais sábias. Ao lidar com desafios, em vez de ser arrastado pela ansiedade, você pode pausar, respirar e responder com clareza. Situações de tensão no trabalho, como um prazo apertado ou um conflito de opiniões, podem se tornar espaços de aprendizado, onde a emoção não trava, mas move em direção a soluções criativas.
Nas relações afetivas, o corpo emocional revela ainda mais sua importância. Muitas vezes projetamos no outro nossas dores não resolvidas, exigindo que ele cure feridas que são nossas. Quando amadurecemos emocionalmente, entendemos que amar não é cobrar, mas compartilhar; não é esperar perfeição, mas aprender juntos. Emoções que antes seriam motivo de ruptura tornam-se oportunidades de fortalecer a conexão.
Assim, integrar o corpo emocional ao caminho espiritual é reconhecer que cada lágrima, cada riso e cada silêncio fazem parte do aprendizado da alma. Como já refletimos em textos anteriores sobre destino e livre-arbítrio, e sobre o amor como aprendizado, tudo se entrelaça: o destino é tecido não só pelas escolhas conscientes, mas também por como conduzimos as águas que nos habitam.
A verdadeira evolução espiritual não acontece fora de nós, mas no domínio do que sentimos. A maturidade emocional é o solo fértil onde a alma planta sua liberdade.
A busca pela maturidade emocional é, portanto, a busca pelo domínio de si mesmo. Não é uma batalha para ser vencida, mas uma jornada para ser vivida. É um caminho de autoaceitação e de sabedoria, onde reconhecemos a nossa própria força para transformar nossa realidade. A chave está em compreender que a consciência é a base de tudo. Amit Goswami nos diz que "a vida é uma hierarquia emaranhada, na qual a consciência se manifesta em níveis de organização cada vez mais elevados, começando com a partícula subatômica, seguindo para átomos, moléculas, células, organismos e, finalmente, nós, humanos." Isso significa que a nossa consciência, e a forma como a usamos para processar as nossas emoções, é a ferramenta mais poderosa que temos para criar a nossa própria realidade.
A maturidade emocional é o caminho para o empoderamento, pois nos dá o controle sobre o nosso próprio mundo interior. Ela nos liberta da ingenuidade de idealizar o que não existe, e nos fortalece para não nos iludirmos, vivendo a vida com os pés no chão.
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